Temer afirma ter sido “lealíssimo” a Dilma e descarta impeachment de Bolsonaro

O ex-presidente Michel Temer (MDB) afirmou nesta segunda-feira, 27, que foi leal à ex-presidente Dilma Rousseff (PT) durante os acontecimentos que antecederam o impeachment sofrido pela petista. Temer também comentou sobre os pedidos de impedimento contra o atual chefe do Executivo, Jair Bolsonaro (sem partido) e afirmou que “não é o momento” para se darem início a esses processos.

Michel Temer fez estas declarações durante entrevista dada ao programa Roda Viva. Na ocasião, ele reforçou que o “impeachment é sempre um transtorno”. “Você sabe que eu cheguei ao poder, em função até de um impedimento, mas eu reconheço que toda vez que há um impedimento, há um trauma institucional”, afirmou.

Questionado se teria sido um vice-presidente leal no mandato de Dilma Rousseff, Temer disparou: “Lealíssimo!”. O ex-presidente argumentou que antes dos episódios que levaram ao impeachment da ex-presidente, havia conversado com Eduardo Cunha, então presidente da Câmara dos Deputados, e o parlamentar teria afirmado que como o PT votaria com ele no Conselho de Ética, iria arquivar os pedidos de impeachment protocolados contra Rousseff.

“Ele (Eduardo Cunha) me procurou e falou que ia arquivar os pedidos de impeachment, mas tinham dois que eram dificílimos de arquivar. Mas, na época, disse que ia fazer o possível, já que o PT ia votar com ele na Comissão de Ética. E no mesmo dia falei isso para ela”, contou.

“Presidente, durma tranquila, o presidente (da Câmara dos Deputados) acabou de me dizer que vai arquivar os pedidos de impedimento”. “Eu jamais trabalhei contra ela!”, disse em outro momento.

No entanto, o Partido dos Trabalhadores optou por não “salvar” Cunha no Conselho de Ética, o que, segundo o próprio Temer já admitiu, foi o que motivou abertura do processo de impeachment.

Pedidos de impeachment contra Bolsonaro

Ao ser questionado sobre a intermediação que fez entre Bolsonaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, Michel Temer disse que não poderia se omitir, pois sentia um “clima muito negativo no país”, naquele momento.

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O episódio destacado pelo ex-presidente diz respeito ao texto publicado por Bolsonaro e redigido por Temer, após os atos antidemocráticos de 7 de setembro. Na declaração, o presidente afirma não ter tido “nenhuma intenção de agredir quaisquer dos Poderes”, se referindo à crise institucional acarretada pelas manifestações.

Temer afirmou ter percebido uma tensão nos dias que se seguiram após os protestos, devido à iminência da greve dos caminhoneiros e a ocupação, por apoiadores de Bolsonaro, em prédios de Brasília, como a Esplanada dos Três Poderes. Para o ex-presidente, não era o momento para a abertura de um impeachment.

“Vamos supor, vou figurar a hipótese, que se propusesse um impedimento, se abria um impedimento, etc, eu não sei o que essa gente faria (caminhoneiros e fanáticos). Isso geraria uma espécie de uma quase conflagração civil, o que não é desejável para o país”, declarou.

Ainda sobre os mais de 130 pedidos de impeachment contra o presidente Bolsonaro que seguem sem a análise do presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL), Michel Temer também afirmou que não é mais o momento para estes processos serem iniciados. “Uma coisa é um impeachment iniciado no início do governo, no meio do governo, outra coisa é um impedimento, digamos assim, temporalmente, um impeachment aberto agora em outubro.”

“Se você me perguntasse um ano atrás, eu diria que talvez fosse o caso de começar um impedimento. Nesse momento, eu não acho adequado”, complementou.

Sobre a mediação feita após os atos, Temer afirmou não se arrepender, mas reforçou não ser conselheiro de Bolsonaro. “Eu não sou conselheiro do presidente, não. Eu, quando muito, dou palpite quando sou chamado e dou palpite em função do Brasil.” “Quantas vezes me chamarem para auxiliar o Brasil, nessa tese da paz, da pacificação, da harmonia dos Poderes, do cumprimento da Constituição, eu vou”, declarou aos jornalistas.

O POVO

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